Evangelho do Dia 06/05/2026

Reflexão sobre o Evangelho de São Mateus 28:8-15

No Evangelho de hoje, vemos dois movimentos profundamente humanos acontecendo lado a lado: a coragem que nasce da verdade e o medo que tenta escondê-la.

As mulheres saem do túmulo com sentimentos misturados — temor e alegria. Não é uma fé fria ou distante; é uma fé viva, que treme e, ao mesmo tempo, corre. Elas não têm todas as respostas, mas têm um encontro. E isso basta para colocá-las em movimento. No caminho, Jesus as encontra. Não no lugar da morte, mas no caminho da obediência. Isso sugere algo importante: muitas vezes, a compreensão plena não vem antes da ação, mas durante o percurso de quem decide confiar.

Por outro lado, há os guardas e os líderes religiosos. Eles também recebem evidências — fortes, inquietantes, impossíveis de ignorar. Ainda assim, escolhem uma narrativa que preserve sua segurança e controle. Preferem sustentar uma versão confortável a encarar uma verdade transformadora. O medo, aqui, não é o mesmo das mulheres; não é o temor reverente diante do divino, mas o medo de perder poder, status, certezas.

O contraste é claro: enquanto uns correm para anunciar vida, outros se organizam para manter uma mentira. E, curiosamente, ambos os grupos agem com urgência. Isso revela que a questão não é apenas o que sabemos, mas o que fazemos com aquilo que sabemos.

Essa passagem convida a uma reflexão honesta: diante daquilo que nos confronta e transforma, reagimos com abertura ou resistência? Corremos para compartilhar vida ou nos escondemos atrás de versões mais convenientes?

Talvez a fé autêntica não seja ausência de medo, mas a decisão de não deixar que ele dite nossos passos. As mulheres sentiram medo — e mesmo assim correram. Os líderes também sentiram medo — e por isso pararam, manipularam, esconderam.

No fim, a diferença não está no sentir, mas no escolher.

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