Evangelho do Dia 15/08/2026

Reflexão sobre o Evangelho de São Mateus 19:13-15

O Evangelho de hoje nos apresenta uma cena simples, mas profundamente reveladora: algumas pessoas levam crianças até Jesus para que Ele lhes imponha as mãos e reze por elas. Os discípulos, porém, tentam impedir. Talvez julgassem que as crianças não fossem importantes o suficiente para ocupar o tempo do Mestre. Jesus, entretanto, pensa de maneira diferente: “Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque o Reino dos Céus pertence aos que são como elas.”

A atitude de Jesus revela o coração de Deus. Para o mundo, muitas vezes, valor e importância estão ligados à força, à autonomia, ao conhecimento e à capacidade de produzir. Jesus, porém, acolhe aqueles que nada têm a oferecer senão a própria confiança. Ele mostra que, diante de Deus, não precisamos apresentar méritos para sermos recebidos. Precisamos apenas nos aproximar com um coração aberto.

As crianças representam essa confiança simples. Elas sabem que precisam dos outros, acolhem o amor, dependem daqueles que cuidam delas e não têm vergonha de receber. É justamente essa atitude que Jesus nos convida a recuperar na nossa relação com Deus. Às vezes, tornamos a fé complicada demais, como se precisássemos compreender tudo, controlar tudo ou merecer tudo. O Evangelho nos recorda que existe uma dimensão essencial da vida espiritual: deixar-se acolher por Deus.

Também podemos nos perguntar se, de alguma maneira, temos impedido alguém de se aproximar de Jesus. Podemos fazer isso com julgamentos, preconceitos, palavras duras, indiferença ou simplesmente deixando de oferecer acolhimento. Os discípulos queriam afastar as crianças, mas Jesus as chama para perto. A Igreja e cada cristão são chamados a fazer o mesmo: abrir caminhos para que as pessoas encontrem Cristo, e nunca se tornarem obstáculos para esse encontro.

Jesus não apenas permite que as crianças se aproximem; Ele as coloca no centro e as abençoa. Há aqui uma bela certeza para todos nós: ninguém é pequeno demais para o amor de Deus. Nenhuma vida é insignificante aos Seus olhos. Nenhuma pessoa deve ser considerada sem importância.

Que esse Evangelho nos ensine a confiar mais, a acolher melhor e a abandonar a pretensão de controlar tudo. Que possamos nos aproximar de Jesus com a simplicidade de uma criança, reconhecendo que precisamos de Sua presença, de Sua bênção e de Seu amor. E que nossas atitudes jamais afastem alguém de Cristo, mas façam com que cada pessoa encontre em nós uma porta aberta para o Seu coração.

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