Evangelho do Dia 07/01/2026

São Marcos 6:45-52

No Evangelho de hoje, vemos os discípulos no meio do mar, lutando contra o vento contrário, enquanto Jesus parece, à primeira vista, distante. A cena é profundamente humana: eles obedeceram, entraram no barco, mas mesmo assim enfrentam dificuldade, cansaço e medo. A obediência não os poupou da tempestade. Isso nos ensina que seguir a vontade de Deus não nos isenta das lutas; muitas vezes, é justamente no caminho da obediência que o vento se torna mais forte.

Jesus, porém, não está ausente. O texto diz que Ele os vê remando com dificuldade. Mesmo quando não O percebemos no barco, o olhar de Cristo nos alcança. Ele enxerga o esforço silencioso, a fadiga que ninguém mais nota, a fé que insiste em não desistir. Há consolo em saber que não lutamos invisíveis diante de Deus.

Quando Jesus caminha sobre as águas, os discípulos se assustam. O medo os impede de reconhecer a presença que vem para salvá-los. Quantas vezes acontece o mesmo conosco? Oramos por ajuda, mas quando Deus se aproxima de um modo diferente do esperado, somos tomados pelo temor. Preferimos o conhecido, mesmo que doloroso, ao inesperado de Deus.

A palavra de Jesus rompe o caos: “Tende confiança. Sou eu. Não tenhais medo!” Não é apenas um convite à tranquilidade, mas um chamado à confiança. O “Sou eu” ecoa como lembrança de quem Ele é — o Senhor sobre o vento, o mar e o coração humano. Quando Ele entra no barco, o vento se aquieta, revelando que a paz não vem da ausência de tempestades, mas da presença de Cristo.

O texto termina dizendo que os discípulos não haviam entendido o milagre dos pães, pois o coração deles estava endurecido. Isso nos confronta com uma verdade delicada: a falta de compreensão espiritual não nasce da ausência de sinais, mas de um coração que se fecha. Mesmo após tantos milagres, ainda é possível não perceber quem Jesus realmente é.

Essa passagem nos convida a refletir: em quais áreas estamos remando sozinhos, esquecendo que Ele nos vê? Que medos nos impedem de reconhecer Jesus quando Ele se aproxima? Que o nosso coração permaneça sensível, capaz de lembrar dos feitos de Deus, para que, no meio das tempestades, possamos ouvir Sua voz e descansar na Sua presença.