Vigília do Mês 01/2026

O Perdão que Liberta

O perdão, à luz do Evangelho, não é um gesto simples nem um atalho para esquecer a dor; é um caminho interior que exige verdade, humildade e amor. Jesus não apresenta o perdão como algo opcional, mas como uma atitude que nasce do encontro com a misericórdia de Deus. Quem se reconhece amado apesar de suas falhas começa a compreender que perdoar não é negar a justiça, e sim libertar o coração do peso do ódio e do desejo de vingança.

No centro do Evangelho está um Deus que se inclina diante da fragilidade humana. As parábolas de Jesus revelam que o perdão não funciona pela lógica da troca — “eu perdoo se o outro merecer” —, mas pela lógica da graça. O pai que acolhe o filho que retorna, o pastor que busca a ovelha perdida, o samaritano que cuida do ferido à beira do caminho: todos mostram que amar é ir além do cálculo, é enxergar o outro não apenas pelo erro cometido, mas pela dignidade que permanece.

O ápice dessa mensagem está na cruz. Mesmo diante da violência e da injustiça, Jesus responde com misericórdia. Ali, o perdão deixa de ser apenas uma ideia bonita e se torna uma escolha radical: amar quando tudo convida ao ódio. O Evangelho nos ensina que perdoar não apaga a dor imediatamente, nem significa concordar com o mal, mas transforma o sofrimento em possibilidade de redenção. É um ato que rompe o ciclo da violência e abre espaço para a vida nova.

Perdoar, portanto, é um exercício diário de fé. É confiar que o amor é mais forte que a ofensa e que Deus age mesmo nas feridas que não cicatrizaram por completo. Quando perdoamos, não nos tornamos fracos; ao contrário, participamos da força silenciosa do Evangelho, que reconcilia, restaura e devolve ao ser humano a capacidade de amar de novo.